:: Gothic Arts - Cultura Obscura Ultra-Romântica ::

Clique aqui para retornar à página inicial.

 

 :: Ultra-Romantismo - Principal: Introdução

 

 
 
 
 :: Introdução ao Ultra-Romantismo e à Cultura Gótica Literária
Este site tem como objetivo divulgar os princípios do movimento gótico, que ao contrário do que popularmente se imagina, não estão diretamente relacionados ao satanismo e nem fazem apologia a qualquer outra forma de ocultismo. Os mesmos se definem atualmente como elementos de mais uma forma de sub-cultura, volúvel a diversas questões interpretativas, cuja qual, é geralmente identificada por sua característica central, a expressão romântica proveniente de um movimento literário denominado Romantismo, mais especificamente, o Ultra-Romantismo (uma ramificação do movimento romântico em si).

O movimento Romântico teve sua origem na Inglaterra durante a segunda metade do século XVIII, expandindo-se posteriormente pela Alemanha (onde mais se destacou) e em seguida por toda a Europa e o mundo, chegando à monopolizar a literatura universal até meados do século XIX. A princípio o Romantismo tinha como objetivo resgatar o caráter emotivo do homem, oprimido pela excessivamente fria, racionalidade classicista, sendo esta por sua vez, um segmento da mentalidade já restabelecida anteriormente pelo iluminismo em função da cultura clássica greco-romana.

Texto de: Gustavo Camps

 

 :: Uma Análise Psico-Cultural da Constituição Ultra-Romântica 
A característica mais marcante do Romantismo, e verdadeiro "cartão de visita" de todo o movimento literário, é o sentimentalismo, a supervalorização das emoções pessoais: é o mundo interior que conta, o subjetivismo. E à medida que essa busca dos valores pessoais se intensifica, como o culto do individualismo, perde-se a consciência do todo, do coletivo, do social. A excessiva valorização do "eu" gera o egocentrismo: o ego como centro do universo. Evidentemente, surge aí um choque entre a realidade objetiva e o mundo interior do poeta. A derrota inevitável do ego produz um estado de frustração e tédio, que conduz à evasão romântica. Seguem-se constantes e múltiplas fugas da realidade: o álcool, o ópio, as "casas de aluguel" (os prostíbulos), a saudade da infância, as constantes idealizações da sociedade, do amor e da mulher. O romântico, enfim, foge no tempo e no espaço. No entanto, essas fugas têm ida e volta, exceção feita à maior de todas as fugas românticas: a morte.

Houve uma nítida evolução no comportamento dos autores românticos: há semelhanças entre os autores de uma mesma fase, mas a comparação entre os primeiros e os últimos representantes do período revela profundas diferenças. No caso brasileiro, por exemplo, há uma distância considerável entre a poesia de Gonçalves Dias (primeira geração - Indianista ou Nacionalista), de Álvares de Azevedo (segunda geração - Ultra-Romântica ou Individualista) e de Castro Alves (terceira geração - Condoreira). Daí a necessidade de se dividir o Romantismo em fases ou gerações; no Romantismo brasileiro temos três gerações de poetas. Neste site falaremos apenas da Segunda Geração - Geração do Mal-do-Século.

Fragmento de um texto extraído da internet - Autor desconhecido

A Segunda Geração da Poesia Romântica:

"No Brasil, ultra-românticos foram os poetas estudantes, quase todos falecidos na segunda adolescência, membros de rodas boêmias, dilacerados entre um erotismo lânguido e o sarcasmo obsceno. Os que dobraram a casa dos vinte e cinco acumularam os fracassos profissionais e os rasgos de instabilidade, confirmando a índole desajustada desses 'poetas da dúvida', a que faltam por completo a afirmatividade dos românticos indianistas e a combatividade dos condoreiros."
(José Guilherme Merquior)

 

 :: Abençoados ou Amaldiçoados?
Será que nascer com uma alma poeta que dá inspiração a quase todo tempo é uma qualidade digna de contemplação? Pode até ser, se essa poesia nascida no interior trouxer prazer, alegria, harmonia e paz a quem a escreve. Mas, e se essa poesia mostrar um mundo sombrio, melancólico, cético, repleto de pessimismo e com doses de masoquismo? Um mundo que, na verdade, existe e se localiza nas profundezas do poeta, em especial, do poeta ultra-romântico que viveu, como se sabe, o verdadeiro mal-do-século. Aquele tédio existente era uma benção ou uma maldição?

Quem poderá nos responder à essa pergunta? Será que existe resposta para ela? Ser poeta era uma benção e uma maldição? Ou será que o poeta era amaldiçoado para entender a sua poesia como uma benção?

Será que a dor no peito de Álvares de Azevedo emudeceria se ele morresse no dia seguinte? Ou será que o seu forte desejo de morrer o enlouqueceu ao ponto de sua imaginação criar dores horríveis? É sabido que a tuberculose que tão cedo o levara existiu. Mas, será que ela surgiu na sua vida porque era o seu trágico destino acabar assim? Ou será que ele procurou uma vida mórbida que se findaria precocemente influenciado pelas leituras que fazia das palavras de Lord Byron? Questões e mais questões, e as respostas não surgem. Mas, Álvares de Azevedo nos deixou uma frase que, talvez, resumisse todas as respostas: "Foi poeta - sonhou - e amou na vida." Apesar da sua sina, as virgens não deixavam de existir nos seus sonhos de poeta. Apesar de sofrer, buscou um amor (embora platônico). Pouco lhe importava se aquilo era uma benção ou uma maldição: ele quis amar.

Outro que nos deixou perguntas sem respostas foi o poeta infantil, o Casimiro de Abreu. Será que seus oito anos foram os seus melhores momentos na vida? Bem, saudades ele tinha desse tempo. Na sua poesia, talvez exagerada no sentimentalismo e repleta de amor pela natureza, pela mãe e pela irmã, as emoções se sucedem sem violência, envolvidas num misto de saudade e de tristeza que nos demonstra uma perturbação existente, uma derrota em relação à vida adulta. Deixou-nos esta frase como resumo: "Em vez de mágoas de agora, eu tinha nessas delícias de minha mãe as carícias e beijos de minha irmã!" A tuberculose levou-nos mais um poeta que, como Azevedo, morreu jovem, no início dos vinte anos de vida.

Não diferente aos anteriores, Junqueira Freire viveu um drama voltado para sua falta de vocação monástica. Seu ingresso na vida religiosa representou uma vocação ou uma fuga? De qualquer forma, Junqueira nos deixou uma poesia marcada por uma tensão profunda. Está diretamente ligada à sua vida de monge beneditino. Sua frustração diante da clausura, do celibato, transparece em toda sua obra. A solução encontrada para sua vida foi romântica: a morte. Um célebre trecho de uma de suas poesias é: "E por isso que cantei o monge, cantei também a morte." Faleceu também nos início dos vinte anos.

E o Fagundes Varela? Será que a fuga para a mata resolveu os seus temores internos? Sabe-se que sua vida foi marcada por perdas de pessoas queridas e isso o levou a procurar a religião que atuou como forma de redenção do seu sofrimento. Isola-se na sua floresta profunda e acaba sendo vítima de um insulto cerebral que o leva à morte.

Resta-nos saber o porquê dessa maldição terrível que acompanhou a curta vida dos nossos ultra-românticos. Mas, a pergunta mais lógica que surge disso tudo é: o que seria da nossa literatura romântica se esses abençoados por escreverem tão bem não fossem amaldiçoados com trágicos destinos?

Texto de: Giselly Peregrino